quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Todos os caminhos nos levam a São Cristóvão

Uma hora. O sol a rachar. A rua começa ali e termina antes que eu possa notar. A pequena vila onde me encontro é tão pitoresca quanto o caminho de chão já percorrido. O calor é tão intenso quanto a sede e a procura por um espaço à sombra. Mais um domingo. Era para ser tranquilo, mas começou errado com uma voz na janela a pedir o carro emprestado. Já estava quase na hora combinada de sairmos para uma cachoeira, há meses tão falada. E lá se foi o carro. E lá se foi a calma. A espera não é tão angustiante, o problema é a dependência. Horas depois. Muito tempo após o horário combinado, uma chave extraviada. Tensão. Mais espera. Enfim, conseguimos sair. Outro imprevisto, arrumar um estepe para o pneu furado na noite anterior. Mais um problema resolvido. Finalmente pegamos a estrada. E a tranquilidade volta a reinar, juntamente com a poeira e a visão de lugar nenhum. De um lado da estrada plantação de milho, do outro de soja. Quilômetros e quilômetros assim. De vez em quando um aviário, algumas vacas pastando e mais nada. Alguns dizem: riqueza. Eu digo: aquecimento global. E assim seguimos, entre uma conversa entrecortada e outra. Um carro passa e se vai ao longe. Nesse momento, um barulho diferente. Um pneu furado no meio do nada. Bendito estepe arrumado. Troca-se o pneu e voltamos a estrada, pedindo baixinho que nada mais aconteça. Alguns quilômetros a frente, nos deparamos com uma encruzilhada. Cinco caminhos. E agora José? A falta de consenso nos leva a pedir informação no aviário próximo. A falta de consenso no faz perceber o inevitável, o indesejado: mais um pneu furado. E agora José? Ideias mirabolantes passam pela cabeça. Performances mirabolantes para o celular encontrar sinal. E finalmente uma ligação. Uma esperança de um estepe. E mais ideias surgem. No interior do interior é preciso ter de tudo. Inclusive um compressor de ar. E assim enchemos o pneu no aviário e seguimos até essa vila, onde me encontro, em busca de um borracheiro. No interior do interior tem-se tudo, aceita-se de tudo. Menos MASTERCARD. E assim contamos o dinheiro, sentamos na vendinha e esperamos o borracheiro. Nossa presença é quase que uma atração. Em poucos minutos a vendinha está cheia. E cada um oferece a informação de um caminho para chegarmos à cachoeira. Aparentemente todos caminhos nos levavam a São Cristóvão. E cá estamos... À espera...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

dúvidas

Onde fica a ponte mais próxima?
A mais alta?
Sobre um rio transbordante?
Onde fica esse lugar para onde eu quero ir?
Quem inventou essa coisa mesquinha que chamo de vida?
Onde está a adrenalina que quero sentir?
CADÊ MINHA PONTE?
Cansei desse solo árido...
Quero a minha saída...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vida


Vou fazendo da vida um circo
Com palhaços e gargalhadas
Com picadeiro e almofadas
Com malabaristas
Equilibristas
Vou fazendo da vida um circo
Hoje não tem mais graça
A moça bonita errou o número
Perdeu o equilíbrio
Caiu lá de cima
Vou fazendo da vida um circo
Amanhã é outro espetáculo
Numa outra paragem
Novos espectadores
Quem sabe o número seja aplaudido
E a moça bonita volte a sorrir

Passo


Passo correndo
Passo com pressa
Passo sem querer
Passo sem propósito
Passo por passar
Passo pra te olhar
Passo em descompasso
Passou

Cheiro do cerrado


Que saudade de vocês
Que vontade de vê-las
E o cheiro da terra molhada
Remanescência do cerrado que absorve meu ser
Por um instante esqueço o mundo
Entrego-me a chuva
Completamente só
Sem ruídos, sem atropelamentos
Somente eu e a água do céu
Penso em vocês
Naquele tempo em que eram meninas
E brincavam comigo molhadas de chuva
Esse cheiro de cerrado...
Saudade do passado