Uma hora. O sol a rachar. A rua começa ali e termina antes que eu possa notar. A pequena vila onde me encontro é tão pitoresca quanto o caminho de chão já percorrido. O calor é tão intenso quanto a sede e a procura por um espaço à sombra. Mais um domingo. Era para ser tranquilo, mas começou errado com uma voz na janela a pedir o carro emprestado. Já estava quase na hora combinada de sairmos para uma cachoeira, há meses tão falada. E lá se foi o carro. E lá se foi a calma. A espera não é tão angustiante, o problema é a dependência. Horas depois. Muito tempo após o horário combinado, uma chave extraviada. Tensão. Mais espera. Enfim, conseguimos sair. Outro imprevisto, arrumar um estepe para o pneu furado na noite anterior. Mais um problema resolvido. Finalmente pegamos a estrada. E a tranquilidade volta a reinar, juntamente com a poeira e a visão de lugar nenhum. De um lado da estrada plantação de milho, do outro de soja. Quilômetros e quilômetros assim. De vez em quando um aviário, algumas vacas pastando e mais nada. Alguns dizem: riqueza. Eu digo: aquecimento global. E assim seguimos, entre uma conversa entrecortada e outra. Um carro passa e se vai ao longe. Nesse momento, um barulho diferente. Um pneu furado no meio do nada. Bendito estepe arrumado. Troca-se o pneu e voltamos a estrada, pedindo baixinho que nada mais aconteça. Alguns quilômetros a frente, nos deparamos com uma encruzilhada. Cinco caminhos. E agora José? A falta de consenso nos leva a pedir informação no aviário próximo. A falta de consenso no faz perceber o inevitável, o indesejado: mais um pneu furado. E agora José? Ideias mirabolantes passam pela cabeça. Performances mirabolantes para o celular encontrar sinal. E finalmente uma ligação. Uma esperança de um estepe. E mais ideias surgem. No interior do interior é preciso ter de tudo. Inclusive um compressor de ar. E assim enchemos o pneu no aviário e seguimos até essa vila, onde me encontro, em busca de um borracheiro. No interior do interior tem-se tudo, aceita-se de tudo. Menos MASTERCARD. E assim contamos o dinheiro, sentamos na vendinha e esperamos o borracheiro. Nossa presença é quase que uma atração. Em poucos minutos a vendinha está cheia. E cada um oferece a informação de um caminho para chegarmos à cachoeira. Aparentemente todos caminhos nos levavam a São Cristóvão. E cá estamos... À espera...
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
dúvidas
Onde fica a ponte mais próxima?
A mais alta?
Sobre um rio transbordante?
Onde fica esse lugar para onde eu quero ir?
Quem inventou essa coisa mesquinha que chamo de vida?
Onde está a adrenalina que quero sentir?
CADÊ MINHA PONTE?
Cansei desse solo árido...
Quero a minha saída...
A mais alta?
Sobre um rio transbordante?
Onde fica esse lugar para onde eu quero ir?
Quem inventou essa coisa mesquinha que chamo de vida?
Onde está a adrenalina que quero sentir?
CADÊ MINHA PONTE?
Cansei desse solo árido...
Quero a minha saída...
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Vida

Vou fazendo da vida um circo
Com palhaços e gargalhadas
Com picadeiro e almofadas
Com malabaristas
Equilibristas
Vou fazendo da vida um circo
Hoje não tem mais graça
A moça bonita errou o número
Perdeu o equilíbrio
Caiu lá de cima
Vou fazendo da vida um circo
Amanhã é outro espetáculo
Numa outra paragem
Novos espectadores
Quem sabe o número seja aplaudido
E a moça bonita volte a sorrir
Com palhaços e gargalhadas
Com picadeiro e almofadas
Com malabaristas
Equilibristas
Vou fazendo da vida um circo
Hoje não tem mais graça
A moça bonita errou o número
Perdeu o equilíbrio
Caiu lá de cima
Vou fazendo da vida um circo
Amanhã é outro espetáculo
Numa outra paragem
Novos espectadores
Quem sabe o número seja aplaudido
E a moça bonita volte a sorrir
Passo
Cheiro do cerrado

Que saudade de vocês
Que vontade de vê-las
E o cheiro da terra molhada
Remanescência do cerrado que absorve meu ser
Por um instante esqueço o mundo
Entrego-me a chuva
Completamente só
Sem ruídos, sem atropelamentos
Somente eu e a água do céu
Penso em vocês
Naquele tempo em que eram meninas
E brincavam comigo molhadas de chuva
Esse cheiro de cerrado...
Saudade do passado
Que vontade de vê-las
E o cheiro da terra molhada
Remanescência do cerrado que absorve meu ser
Por um instante esqueço o mundo
Entrego-me a chuva
Completamente só
Sem ruídos, sem atropelamentos
Somente eu e a água do céu
Penso em vocês
Naquele tempo em que eram meninas
E brincavam comigo molhadas de chuva
Esse cheiro de cerrado...
Saudade do passado
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